As ramificações do relacionamento dos homo sapiens, impostas pela distribuição destes indivíduos ao redor do planeta, resultaram, posteriormente, nas mais diversas formas de organização interna, nem sempre sistemáticas ou de acordo com a vontade da maior parte daqueles que a compunham. A tortura, a condenação à morte, as perseguições religiosas e as prisões sem julgamento foram marcas de quase todas as civilizações.
Ainda que nós, seres humanos, tenhamos nos desenvolvido muito em relação a nossos ancestrais, uma grande quantidade de comportamentos permaneceu até os dias de hoje. Nossos hábitos, vestimentas, idiomas e posses podem ter mudado; por outro lado, nossos cérebros ainda trabalham, pensam, processam e entendem ações, mensagens e informações – inclusive respondendo aos mesmos instintos, problemas e objetivos básicos – praticamente como antes.
Será mesmo que a espécie que se auto-denomina "mais inteligente" possui fundamentos para tanto? O critério mais importante de uma avaliação - seja qual for - não é a imparcialidade? Quando fazemos um exame, por exemplo, somos avaliados por outrem, de modo que não possamos dar, a nós mesmos, a nota que quisermos. Contudo, quando se trata de medir a inteligência das espécies, a imparcilidade parece ser deixada de lado: seres humanos dão o título de mais capazes de pensar a si mesmos. E se cada espécie acreditasse que é a mais inteligente?
Muitos de nós elevam-se a um patamar superior em releção aos outros seres vivos, como se tivéssemos atributos significativamente mais desenvolvidos. O curioso, porém, é que são os seres humanos os únicos animais - sim, animais como tantos outros - cujo desenvolvimento implica a destruição do próprio meio em que habitam. Se considerarmos, portanto, que a "conservação da espécie" seja a primeira e mais simplória definição de inteligência, certamente estamos muito aquém de inúmeras bactérias.








